Quarta-feira, 12/06/13 - 20:23

“Meu primeiro pensamento foi a segurança da população”

Na noite de terça-feira (11), durante uma manifestação pela diminuição da tarifa de ônibus e metrôs na região central da Capital, um policial militar fazia a guarda do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), na Praça Doutor João Mendes, quando passou pelo que considera “uma das situações mais difíceis de sua carreira”.

Wanderlei Paulo Vignoli entrou na Polícia Militar do Estado de São Paulo, nos anos 90, com um ideal: proteger a população, garantindo os direitos de todos. Com 42 anos de idade, sendo 20 deles dedicados à população paulista, o soldado viu seu lema ser colocado em prática durante o protesto de ontem.

“Meu trabalho é garantir a segurança não só dos funcionários do prédio, mas também das pessoas que trabalham ou passam pelas proximidades, além do próprio patrimônio”, conta.

E era o que fazia quando, por volta das 19 horas, viu um jovem tentar escalar uma das paredes para pichar. Na tentativa de impedi-lo, o PM foi subitamente cercado por vários manifestantes, que passaram a agredi-lo com pedras e pedaços de pau.

“Do nada, surgiram milhares de pessoas e, enquanto eu tentava impedir uma pichação, fui alvejado por várias pedradas na cabeça. Fiquei um pouco zonzo e caí, e um jornalista [Giba Bergamim Jr., do jornal Folha de SP] que viu a ação tentou impedir as pessoas”, relata o policial, lembrando do momento em que pelo menos 10 pessoas atiram objetos ou o agrediam.

Natural de Santo Anastácio, cidade quase 600 quilômetros distante do ocorrido, Vignoli disse nunca ter enfrentado nada parecido. “Casos diários como furtos e roubos nós estamos acostumados, mas é a primeira vez que passo por algo assim”.

Disciplina e rigor

Ainda cercado pelos manifestantes, o policial pegou sua arma e apontou para cima, gritando para se afastarem. “Em nenhum momento pensei em atirar contra eles. Minha obrigação, antes de tudo, é com a vida e a segurança da população”, falou Vignoli.

Mesmo em desvantagem e pondo sua própria segurança em risco, o soldado manteve o controle. Segundo Vignoli, isso só foi possível graças às instruções da PM. “Recebemos treinamentos constantes na polícia, onde aprendemos a usar a arma só em último caso. Além do mais, mesmo entre os manifestantes, há quem não queria brigar, além de haver vítimas ali no meio”, relata.

Ao ser questionado se, em tese, poderia ter atirado em legítima defesa, o policial completa: “Eu pensei primeiro nas pessoas que estavam ali, e não em mim. Temos que evitar os crimes protegendo a população. Sempre que possível, devemos reter o agressor sem o uso da arma”, relata.

De acordo com Vignoli, ele ficou menos de dois minutos nessa situação, até que outros policiais do patrulhamento do Tribunal o ajudaram. O soldado foi levado à Assistência Médica Ambulatorial (AMA), na região da Sé, e encaminhado ao Hospital da Polícia Militar, onde permaneceu internado com traumatismo craniano.

"Eu também uso metrô e ônibus"

Para o soldado, a manifestação é plausível, mas não seus métodos. "A manifestação é algo previsto e permitido na Constituição Brasileira. Eu entendo o porquê das passeatas, mas não a violência delas", explicou.

Vignoli usa metrô para ir e voltar do trabalho. A gratuidade da passagem é garantida apenas quando ele está de farda, em serviço. Nos momentos de folga, o policial paga a passagem normalmente. "Se vou sair, eu pego ônibus, pego metrô, pego trem. E pago a passagem como qualquer cidadão", disse.

Presos em flagrante

Após a ação, por volta das 19h30, os outros policiais conseguiram identificar e deter o editor E.D.S., de 26 anos, e o artista D.S.F., 20, como alguns dos agressores. Os suspeitos continuavam atirando pedras nos PMs e tentavam pichar a parede do TJ.

Os homens foram conduzidos ao 1º Distrito Policial (Sé) e autuados, em flagrante, por lesão corporal, dano qualificado e desacato. Como a fiança, arbitrada em três mil reais, não foi paga, os suspeitos permaneceram presos.

Rodrigo Paneghine e Gabriel Rosado


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